Reciclagem de Resíduo Têxtil

Reciclagem de Resíduos Texteis

A indústria têxtil (produção e manufatura de tecidos diversos) brasileira está dentre as maiores do mundo. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) para o ano de 2014, somos a sexta maior indústria têxtil do mundo, empregando mais de 1,7 milhões de trabalhadores e produzindo 9,8 bilhões de peças ao ano.

Se por um lado esses são números extremamente positivos, por outro significa que há à geração de um enorme volume de resíduos têxteis, com impactos ambientais negativos de grande magnitude.

Anualmente, são compradas ao redor do mundo 2,15 milhões de toneladas de roupas, e desse número pode se medir a quantidade de resíduo têxtil gerado tanto pelo processo de produção quanto pelo processo de descarte, já que segundo dados da Universidade de Cambridge, apenas na Inglaterra são descartadas 1,8 milhão de toneladas de roupas. Apesar de não haver dados dessa natureza sobre o Brasil, pode-se afirmar que a quantidade de roupas jogadas fora é muito maior, uma vez que a população brasileira e aproximadamente 4 vezes maior que a inglesa.

Mas não somente o volume é preocupante. Existem cerca de 100 mil sintéticos químicos nos tecidos utilizados nas roupas, e a decomposição dos tecidos gera um líquido chamado lixiviado, que causa a contaminação da água é do solo.
Diante desses problemas, é fundamental contar com políticas e práticas de reciclagem dos resíduos produzidos por essa atividade.

Políticas de reciclagem
Uma das maiores dificuldades de se estabelecer políticas públicas para incentivar a reciclagem no setor têxtil e o fato das atividades envolvidas na cadeia produtiva, ou seja, desde o plantio da matéria-prima como o algodão, no caso de tecidos orgânicos, à comercialização, serem muitos independentes.

Isso significa que na maioria das vezes não há comunicação entre os envolvidos nessa cadeia, como lavanderias, tinturarias, loja de aviamentos, tecelagem, etc.

No entanto, mesmo diante disso no Brasil diversos esforços nesse sentido estão sendo feitos, e um ótimo exemplo é a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que torna obrigatória a correta destinação de resíduos, dentre eles os têxteis.

Práticas de reciclagem de resíduos têxteis
Apesar de hoje a reciclagem ser um assunto muito falado, no setor têxtil a primeira iniciativa surgida nesse sentido foi há mais de 200 anos, em 1813, quando Benjamin Law criou um processo que consiste em transformar tecidos de lã em fibra que poderiam ser reaproveitadas na confecção de novos tecidos, e a partir daí os processos de reciclagem de tecidos e fibras só apresentou evolução.

Um ótimo exemplo de reciclagem de roupas está na reutilização. Além dos tradicionais brechós, mais em moda que nunca, muitas instituições arrecadam roupas usadas para serem distribuídas para comunidades carentes, inclusive de países localizados em outros continentes.

Hoje, devido aos modernos processos de reciclagem, fibras naturais e sintéticas de muitos tipos de tecidos podem ser reaproveitadas na produção de novos tecidos, assim como a utilização de materiais pouco convencionais, como borracha extraída de comunidades amazonenses.

Mas não é só nos resíduos sólidos que a reciclagem pode ser utilizada. No processo produtivo de qualquer tecido, utiliza-se uma grande quantidade de água, que pode ser reaproveitada em outros processos, diminuindo o consumo desse bem tão precioso e cada vez mais escasso.

Por fim, deve-se ter em mente que, além da reciclagem de resíduos têxteis, peças produzidas sem aditivos químicos tóxicos ao meio ambiente e que durem mais também são fundamentais, uma vez que um dos principais problemas do descarte de tecido está no longo período de tempo que levam para se decomporem.

Com políticas e práticas de reciclagem de resíduos têxteis eficientes, processos de produção e consumo consciente, as roupas, símbolos culturais de importância ímpar, aliam qualidade à sustentabilidade e levam benefícios a todos.

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